A visão teocêntrica de mundo, a de que Deus comanda todas as coisas, predominou na Idade Média. Nesse período, houve pouco avanço do saber, pois se seguia uma cartilha na qual tudo estava determinado por Deus, por isso o novo era visto como subversivo e caia, quase sempre, nas garras da Santa Inquisição.
Cansados de se submeterem a Deus, os Renascentistas, por volta do século XV, proclamaram - sem destituir Deus do trono - a independência do homem. Com isso, o Teocentrismo cede lugar ao Antropocentrismo e o homem passa a ser a “medida de todas as coisas”, é o início da concepção materialista e o declínio da espiritualidade do homem. É a partir daí que a ciência, definitivamente, se separa da religião, o Humanismo aflora e o homem passa a definir o seu próprio destino.
Esse empoderamento deu ao homem – a poucos homens - o controle sobre quase toda a natureza. Isso, juntamente com o avanço da ciência, permitiu a criação de coisas inimagináveis para beneficiar, preferivelmente, a ascensão do Capitalismo.
Não sei se é conhecimento de todos, mas se hoje compramos forno microondas, chocolate, panela de teflon, leite condensado, computadores e margarinas, saibam que todos esses produtos se originaram nos campos de batalha, nas duas guerras mundiais. É isso mesmo! Sem considerar os avanços da psicologia e da medicina, proporcionados por meio das experiências nos campos de concentração, ou ainda a física subatômica que gerou as armas nucleares. Einstein uma vez disse: “Não existe nada pior do que uma nova tecnologia na mão de um criminoso patológico”.
Isso “talvez” seja fruto de o homem ser a medida de todas as coisas, afinal de contas foi ele quem disse a deus: “deixa o controle em minhas mãos”. Marcos Valle, em sua bela canção “viola enluarada” já dizia que “a mão que toca o violão se for preciso faz a guerra”. E quantas guerras, não é verdade?
Hoje, conhecemos os benefícios ocasionados pela intervenção do homem, pois temos produtos e serviços muito melhores e mais acessíveis, ocasionados por tecnologias empregadas nos processos produtivos. Mas lembrem-se! A maioria das pessoas não acessa esses benefícios, até porque a desigualdade social é alta, principalmente nos países em desenvolvimento. Imaginem no Haiti!
Por outro lado, temos malefícios, como: a fome, as doenças, a criminalidade, a poluição, a escassez de recursos naturais, os riscos ambientais, os altos níveis de estresses, a concentração de renda etc. Enfim, daria para enumerar outros milhares de problemas, mas esse não é o foco desse texto. Só quero deixar clara a idéia de que o “homem no controle” não cuida bem do nosso mundo, pois se cuidasse não teríamos tanta desigualdade social.
Mas vamos lá! Quem é que manda, de fato, nesse mundo? Vou utilizar o silogismo para responder essa questão. O silogismo é um raciocínio dedutivo formado por três proposições, em que duas delas funcionam como premissas ou antecedente, que se extrai outra proposição que é a sua conclusão ou conseqüente.
Seguem as proposições
1ª Proposição: Se Santo Agostinho afirmou que Deus é bom, por isso não poderia ser a origem do mal, cabendo, dessa forma, ao homem a escolha entre o bem e o mal - o que chamou de livre arbítrio.
2ª Proposição: Se todo o desenvolvimento proporcionado pelo homem, até então, não foi capaz de diminuir a desigualdade social no mundo, mas sim gerou mais riquezas a poucos, então temos mais escolhas más do que boas.
3ª Proposição: Se temos mais escolhas más do que boas, isso prova que quem manda, de fato, no mundo é o homem e não Deus. Lembrem-se! Deus não decide pelo mal.
Se no Renascentismo tivéssemos escolhido Deus em vez do homem, talvez teríamos uma sociedade mais justa e igualitária, pelo menos com mais escolhas boas do que más. Pensem nisso! SE O HOMEM TIVESSE MAIS DEUS NO CORAÇÃO SERÁ QUE TERÍAMOS TANTOS PROBLEMAS DO MUNDO MODERNO? DIGO NO CORAÇÃO PORQUE NA RAZÃO AINDA NÃO É POSSÍVEL TÊ-LO.
Autor: Roberto Augusto dos Santos(Guto)
Autor: Roberto Augusto dos Santos(Guto)
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